Blog - 19 de dezembro de 2024

A flor da felicidade

(…) Na véspera de selarem seu vínculo mais íntimo, sob o alvorecer de um novo ano iluminado pela promessa da primavera e pelo canto das cerejeiras em flor, deixou-se seduzir por impulsos efêmeros, tocando, ainda em botão, a delicada flor da felicidade.

Essa alegria, destinada a florescer com a primavera, foi despertada antes do tempo. No fervor da juventude, num desespero por deleite imediato, avançaram sobre a flor precocemente, agora transformada em símbolo de desengano.

Flor polinizada, ele se foi, a inocência dela desvaneceu-se em um instante, deixando-a repentinamente madura e marcada pela dor. Forçada a abraçar uma maturidade precoce, carregava agora, um fruto inesperado, sem tempo para assimilar a profundidade dessa transformação.

Ao ser abandonada por ele, via-se agora ferida — flor sem jardim, — incapaz de exalar o perfume de suas próprias pétalas, sucumbindo aos seus próprios espinhos, murchando antes que um sol primaveril, como um dia sonhou, pudesse acariciá-la.

O que restou foi um verão prematuro, desprovido de vida, um reflexo de luzes apagadas que a conduziu a um inverno rigoroso, afundando-a em um vale de esperanças perdidas e sonhos despedaçados. (…).

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